BAKHTIN E O CRONOTOPO
Autor: Ozíris Borges FilhoEditora: Mercado de Letras
Há conceitos teóricos que, por sua força e versatilidade,
correm o risco de se tornarem vítimas do próprio sucesso.
O “cronotopo” de Mikhail Bakhtin é, sem dúvida, um deles.
Frequentemente reduzido a uma etiqueta classificatória ou a um
sinônimo erudito para “cenário”, o conceito por vezes perde a
sua potência original de desvelar como a realidade é assimilada
pela arte. Este livro nasce precisamente da necessidade de
resgatar essa potência.
Esta obra não é apenas mais uma incursão na vasta
fortuna crítica bakhtiniana; mas pretende uma exegese rigorosa
que busca reintegrar o que foi fragmentado. Ao articular os dois
textos seminais de Bakhtin sobre o tema — As formas do tempo
e do cronotopo e O romance de educação —, procuramos oferecer
uma visão unificada, demonstrando que o cronotopo não é um
mero dispositivo técnico, mas a “arquitetônica do sentido”, uma
categoria de conteúdo-forma em que o tempo se adensa e o
espaço pulsa com o movimento da história.